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Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA

 
 
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Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - terça-feira, 26 outubro 2010, 22:07
 

VOAR NAS PALAVRAS

Se gostas de desafios, de sonhar, fingir, imaginar, criar, então, não percas mais tempo! Publica no moodle da nossa Escola um poema/um texto que revele o lado mais profundo da tua alma. Mostra que sabes "Voar nas Palavras" e deixa que as mesmas fiquem, posteriormente, gravadas para sempre no livro do IPTA!

Para iniciar o desafio, reenvio um poema da minha autoria.

MOSTRA QUE REALMENTE VOAS NAS PALAVRAS!

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 13:58
 

Insónia


Agora que o tempo passa devagar

a areia escapasse-me pelas mãos

devia dormi-las, em vez de as contar

a minha alma está vazia desvaneceram-se os grãos

outrora foi tempo

em que os olhos se fechavam

num silencio vagabundo

os meus sonhos voavam

abafavam a consciência

cientes à noite cintilavam

e a ursa maior abraçava-os

com um abraço desejavam

ficar presos naquela noite

e naquela noite me guiavam

enquanto os pulmões ainda respiravam

suspiros rasgados desesperados se afogavam

no desesperar de uma insónia

recrio uma efémera babilónia

o branco infinito é o palco

desta longa cerimónia

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - sexta-feira, 26 novembro 2010, 23:18
 
Amar é pensar e eu, quando penso no amor, recordo-me das suas palavras, dos seus gestos...se pudéssemos amar sem recorrer ao pensamento que nos vai na alma, tudo teria a sua calma natural...bastaria agarrar numa carícia que percorresse o nosso corpo e alegrasse o nosso "eu"! Deixaríamos de pensar "pára de pensar!" e apenas beberíamos por dedos finos o calor do amor!
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:00
 

já não sou

Olá miúda sou eu

escrevi para te lembrar

de alguém que me conheceu

bateu á minha porta

e tudo desapareceu

eu desapareci contigo

porque ele morreu

tenho retratos pendurados

e eles gritam comigo

as paredes molestam-me

não querem ouvir o que digo

sustentam o eu antigo

que ecoa nos ouvidos

conhecem todos os meus sonhos

somos todos bandidos

eu sou o mais oprimido

no espaço dos reprimidos

falo do que já não sou

e o que ou são jardins proibidos

a descoberto do hebreu

a estrela guia é quem me conheceu

padeço de ti messias

eleva-me ao apogeu

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:01
 

Não sei fingir


Se eu fingi ser alguém

Talvez não sentisse que não fingi

se fingir é criar talvez sentisse

a saudade que não recrio

quando finjo não a sentir

Se fosse fácil talvez não tivesse

a necessidade de fingir que escrevo

quando não fingi ter de deixar-te

deixando-te assim neste fingimento

Ao relento do cordial

fingido que não finge

pois fingida foi, quem não quis

fingir a novidade

Sentir o que fingi

foi fingir que não sentia

tudo o que fingiste em mim

Baralhaste a minha alma

que finge cegamente

em busca do fim

Sem luz á vista

finjo que estou perdido

no escuro que deixaste

e finjo, finjo, finjo!

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:02
 

Sinto a tua falta


Sinto a tua falta

E desejava não o sentir

A saudade que me move

Não é a mesma que te faz sorrir

Na dualidade de uma presença

Que me faz não assumir

A amizade é o ar

Que não quero poluir

Tenho de atentar á coragem

Acreditar que estas de passagem

Decifrar o código da mensagem

Cegar-me de sangue

Para não te ver miragem

Sou pintor de quadros

Com uma caneta na mão

Tu és o sentimento

O pigmento

As palavras a coloração

Técnica que pratico

Sentimento que omito

Perfeição que procuro

Mas á qual não me dedico

Recito

Sou rico de espírito

E grito

Um sopro da alma

Um sentimento de calma

Na mão,

Na palma dela vazia

Aperto o vazio do meu coração

Mão cheia de nada

Em nada conheço

A tua sedução

Que me seduz num mar

Onde me afogo em ilusão

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:03
 
Agridoce


Se pensares bem

veras que não vale a pena pensar

bastou um só olhar

para o teu mundo desabar

a força de um abraço

demoliu mil baralhos

de cartaz que baralhas

numa manta de retalhos

vivemos ao calhas

com uma palavra privada

um segredo ansiado

reflectido na nossa cara

eu não te posso dizer como é

isso seria mera fonética

eu vejo o feio universal

belo na minha estética

contradigo todas as leis

perdido nesse teu mundo

que refundo nos sentidos

sou um eterno vagabundo

no agridoce espelho

que reflecte a tua imagem

aquilo que hoje é certo

amanha será miragem

deserto aquático, suspenso a meus pés

tu aceitas o que sou

e eu desejo o que és

consigo verte triste

e entristeço contigo

faminta de uma felicidade

que eu carrego comigo

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:05
 

Hora da partida


A lei da vida é viver na recaída

Insignificância que nos resigna

Quando eles estão de saída

Estatuados no tempo

Pela ampulheta sem areia

Resistência sobre-humana

Fora roubada por mão alheia

Mão divina, No divino ser humano

Que julga a vida de outrem

Sem ter o poder soberano

Num soprano tenor

Choro em sol sustenido

Melodia que traz a dor

A este coração partido

Acordes violentos

Dissipados no meu peito

Roubas-me sentimentos

Sem premissa ou direito

Justiça que questiono

Enquanto inalo a substancia

Ópio incessante no caminho

Tentando encurtar a distancia

Entre mim e o infinito

Olho profundo no meu ser

Tens milhões de filhos que te amam

Mas este n te vai reconhecer

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:07
 

Recordar é viver


Recordar é viver

Já o ouvi dizer

Recordar é admitir

Que te posso esquecer

Recordar é sentir

O que não podia fazer

Recordar é relembrar

Aquele proibido prazer

Numa verdade que me ostenta

E tenta mais do que a tentação

Fruto proibido, de um paraíso

Que me faz subir a pulsação

O fraco crítico

E dei por mim a fraquejar

Mas a minha maior fraqueza

É dar por mim a sonhar

Com tal carícia, e perícia

Breve pequeno,

Longo momento

Que a minha mente enfeitiça

A cobiça desses lábios

Que me levam á rendição

Pagaria qualquer preço

Para merecer de novo a punição

Visão que trago e tragaria

De novo, esse teu doce toque

Se me fosse dada a liberdade

Acabaria com todo o teu stock

È pop rock a melodia

Quando navego para aquele dia

Concretizar antecipado

De uma presente fantasia

Quem diria

Que daria por mim a dizer

Que o futuro nos apanha

Mesmo sem nos conhecer

Com a ironia de um acto

Vive a seu bel-prazer

O meu futuro está num passado

Que eu quero reviver

Memórias são bagagem

Que não sofre triagem

São passageiros sem destino

E o tempo é a viagem

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:09
 

Eu não queria ir embora


Eu não queria ir embora

Mas assim como a morte

Todos temos a nossa hora

È difícil, dar o primeiro

E sentir que é o derradeiro

Passo,

Que vem um atrás do outro

Mas nem sempre certeiro

Por vezes,

De certo, nem

A memória fica, em prol do perfeito

Que agora critica,

Com a nostalgia

De quem cortou com o passado

Tempo que não morre

Para ser enterrado

Já diz certo ditado

Perdido algures no momento

Aquilo que se sente

Muita vez é um contra tempo

Utopias ideais,

Contidas em seres racionais

Promulgas mas não absorves

Valores teus, que desenvolves

Tu és, a critica,

Que se critica sem saber

Loucos ventos vádios

Que se procuram até morrer

Mascara que sofre

Com a força da gravidade

Tu és o som dessas lágrimas

Perdidas nesta cidade

Curta vida desse choro

Que não atinge a maturidade

Ápice fugaz, tenaz

Aquosa infelicidade

Nesse mar de ilusão

Desilusão é a tempestade

Tu vives uma mentira

Porque não austeras a verdade

Cinzento teto, esse,

Aquele Que te traz abrigo

Dissimulado sorriso

Brotado pelo teu umbigo

Cabo das tormentas

Que não consegues dobrar

Vives sobre frases feitas

Não aprendeste a navegar

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:10
 

Especial

É arguta

A visão que trago por ti

Numa permuta especial

Olhar que nunca esqueci

Derrota que custou

Lição que aprendi

Tu és a saudade que fica

De uma vida que não vivi

5 Faces á escolha

E eu nem uma escolhi

Doce-amarga vitória

Questão que não respondi

És uma dúvida que me assalta

És a presença que me exalta

És o desconhecido que conheço

És tudo aquilo que me faz falta

És a força de um grito

Que não quero soltar

És a inspiração destas palavras

Que não querem falar

Corrompidas pelo medo

Iluminadas ao luar

Se palavras leva-as o vento

Estas jamais te irão deixar

São a companhia que desejas

E me deixam a desejar

São a melodia do meu sonho

Quando não quero acordar

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:11
 

Degluto do teu toque!

È natural para mim ser um ser anormal

Se o sentimento é irracional

Foge ao plano do concreto

E acorda o sentimental

Penetro dentro dos meus olhos

Em busca de novos horizontes

Sigo os aromas cintilantes

Que me levam á exaltação

Dos sentidos,

E deste pobre coração

A melodia que debita

Aumenta a circulação, da corrente

Quando te vejo sorridente

Abafas a minha mente

Que arde neste fogo ardente

Sem controlo vive ao sabor do peito

Perdido nessas margens

Que Encerradas dentro do teu leito

Levo-te á metamorfose

Antropomorfose do meu corpo

És parte da minha simbiose

E eu sou mais um louco

Ciente deste lunatismo

Dou asas á imaginação

Grito em torno do abismo

E toco no teu coração

Com um sopro de ternura, carinho e dedicação

Abro as portas do paraíso

E faço-te levitar do chão

Levita e debita todo esse sentimento

Liberta a tua alma e conquista-me por dentro

A ferro e fogo dá vida ao teu pensamento

Sustem a respiração e afoga-me num momento

Que perdure em silencio

Com a força duma tempestade

Será único e verdadeiro

E vai te mostrar a verdade

Sem ruído sonoro

Recorrente do uso das vogais

Mostro tudo que te disse

Para que não duvides mais

Acções são o que ficam

São fortificações criadas no tempo

São premissas sentidas

Vindas bem de lá de dentro

Saber amar é um talento

E nada corrompe este meu alento

Não existe nenhuma fome

Que me dê o teu alimento

Fruto proibido pela proibição desejado

Quero cometer a infracção

E beber o sumo a teu lado

Pelo esboço do teu sorriso

È ele o cálice da perdição

O degluto desse toque

Vai te levar á rendição

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:12
 

Alquimia

O que ouviste

Veio da minha alma

Alquimia que transfigura

Essa voz que me acalma

Espelho translúcido

Onde me vejo reflectido

Guardo no infinito

Cada momento vivido

Imprimido

No meu mundo ideal

No meu coração crio

O relevo de um ser especial

Sobrenatural,

Com uma força que me abala

Cada sorriso teu

É um abraço que me embala

Neste sonho

De onde não quero voltar

Faço por me perder

Para que me possas encontrar

Respiro ofegante

Quando te vejo Aproximar

Porque a batida de um palpite

É difícil de acompanhar

Na minha Terra Santa

És cavaleira de Malta

Invadiste o meu sustento

És visão que me exalta

Bem-estar que me consome

Com um olhar que me comove

Incógnito no teu sorriso

Faço a minha prova dos Nove

Tiro as minhas conclusões

Envolto nestas equações

Tu és musa inspiradora

Em todas as minhas Soluções

Neste plano numerário

Livre arbítrio, arbitrário

Desafias o que conheço

Fazes-me ver o mundo ao contrário

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 3 novembro 2010, 14:17
 

UM PASSO DUAS PALAVRAS NO SILENCIO

VAGUEIAM SÓS DE MÃOS DADAS

UM SILENCIO, NÃO, DOIS SILENCIOS

E VEJO UMA VIDA DE COSTAS VOLTADAS

ENCRUZILHADAS A DESCOBERTO

POR CAMINHOS KE NÃO DESEJO PISAR

CAMPOS MINADOS CIOSOS POR ME AMPUTAR

AS PERNAS COM KE CAMINHO

PARA TEU PASSO ACOMPANHAR

SÓ OUÇO O REBENTAR ECOANDO

REMANDO NO ESCURO, OUÇO

O BATER DO TEU CORAÇÃO, PERDIDO

LOUCO MORIBUNDO

ORIUNDO DESSE ESCURO QUE,

NÃO QUERES DESVENDAR

DESVENDAS UMA FITA EMPEDES-ME DE GRITAR

E COM O MEU SILENCIO QUERES TE MATAR

NÃO MORRAS POR MIM, NÃO MORRAS EM VÃO

CULPADO PELA TUA LÁGRIMA, DESCARTADO PELA PAIXÃO

NÃO ENTENDO O TEU COMPASSO

GRITO, QUADRADO NA MINHA EFEMERIDADE

NÃO SOU ETERNO, SOU TERNO

SOU A CALÇADA QUE PISAS, SOU A TUA IDENTIDADE

DESCONHECES A ORIGEM, OFUSCA-TE OS OLHOS A REALIDADE

É VERDADE, ADMITO NÃO SOU FACIL,

MAS TAMBEM NÃO SOU DIFICIL

SOU ENTENDIDO, DESCABIDO

SEI QUE NÃO PASSO DESPERCEBIDO

APESAR DO TCHAU, NÃO SENTIDO

EU DISSE QUE ERA DESCABIDO

E DESCABIDO FOI O NÃO SENTIDO

SOU IMCOMPRIENDIDO ALHEIAMENTE

MAS MAIS IMCOMPRIENDIDO SOU

SENTINDO-TE TÃO FRIAMENTE

AOS OLHOS DE TODOS TOU NU

TOU A DESCOBERTO, FRAGIL DESPROTEGIDO

SOU MAIS UM PARALELO CUSPIDO

NÁ IGNORANCIA DOS "NORMAIS"

SOU MAIS UM TOLO FALIDO

E FALIDO ESTOU, SE NÃO ME TENS CONTIGO

NÃO DESEJO O QUE ESCREVO, SINTO

NÃO DESEJO SENTIR, E RESSINTO

RESSINTO A TUA AUSENCIA E SINTO A MINHA FALENCIA

O MEU CORPO É FRIO GELADO,

MANIETADO PELA NOSTALGIA DE CADA LUGAR LEMBRADO

CADA MEMORIA CADA SOMBRA,

PINTAM NA MINHA CABEÇA, QUADROS QUE NÃO ACEITO

A PRECEITO, RECUSO-ME A VELOS

A VISLHUMBRA-LOS COM OS OLHOS SANGRADOS

LAPIDADOS,

OS TEUS SORRISOS, SÃO COMO LAMINAS

ESBATIDOS NAS MINHAS LAGRIMAS

RASGAM A MINHA PELE, NUMA DOR INATA

QUE RECUSO SENTIR,

SÃO ESSAS MEMORIAS QUE ME FAZEM SORRIR

SORRI LOUCO SONHADOR,

SORRI MORIBUNDO SOFREDOR

SORRI SORRI,MAS NÃO ESPANTES A MALEITA

ESTOU INFECTADO, E ANTIDUTO NÃO CONHEÇO

RECEBO SILENCIO, MAS NÃO É ESSA A RECEITA

REPRIMES-ME, OPRIMES-ME PORQUE?

PERGUNTO EU OFOSCADO PELAS ESCURIDÃO

DO TEU DESAPARECIMENTO

È PELO QUE SINTO... QUE ACONTECIMENTO

MUDOU O RUMO DA ROMARIA,

E MUDARIA SE EU NÃO SENTISSE?!

QUESTÕES ME INVOCAM E SUSSURAM AO OUVIDO

MAS OUVINDO SÓ PENSO QUERO-TE, QUERO

DE VOLTA A MINHA ALEGRIA

E NÃO A TUA TEIMOSIA

LUTAS COMIGO, CONTRA MIM, CONTRA TI

EM BRAÇO DE FERRO MAS PORQUE?

NÃO DESEJEI ROUBAR AS CORES DO COMPROMETIDO

COMPROMETI-ME COM AQUELE REPENTINO ENTENDIMENTO

E NÃO SOFRO DE ARREPENDIMENTO... HÓ...!

SÊ O PASSADO FOSSE HOJE REPETIA TAL MOMENTO

SINTO A MÁGUA DA TUA FALTA, SEM SABER PORQUE ISSO SINTO,

MAS NÃO SINTO ARREPENDIMENTO DO MOMENTO

FUI CEDENTO COM A SEDE DE QUEM A MATAR DESEJA

E DESEJO, MATAR-ME COM UM BEIJO QUE TARDA EM SER PRIMEIRO

EU NÃO DESISTI, TU NÃO LUTES, EU NÃO SOU DERRADEIRO!


Inspirado e dedicado a Patricia Martins 1º Multimédia!

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - quinta-feira, 4 novembro 2010, 12:08
 

Carlos..."Não tenho mais palavras, gastei-as a negar-te", como diria Miguel Torga!

Antes de mais, quero dar-te os parabéns por teres sido o primeiro a revelar um dom tão bonito. Foste corajoso. Espero que a restante comunidade educativa siga o teu exemplo.

Não podia deixar de mencionar que a tua poesia demonstra, claramente, uma grande paixão por Fernando Pessoa (ortónimo e heterónimos), o que me deixa bastante feliz, pois permite-me perceber que consegui passar essa minha paixão (perdoa-me a redundância)!

Demonstras uma profundidade de alma incrível e o teu lado paradoxal deixa qualquer um a "voar nas palavras"!

Claro que, enquanto tua professora de Português, tenho de referir que apresentas alguns "lapsus linguae": erros de acentuação e de ortografia. (Acentuação da contração - estou a escrever segundo as normas do novo acordo ortográfico- "à", da forma verbal "é", algumas trocas de u/o e o/u, faltas de hífen, exemplo, "Vê-las"; e outras falhas.

Sinceramente, considero que, apesar destas faltas assinaladas, és um dos alunos do IPTA mais profundo, metafísico, e com um dom natural de poeta. Tens de continuar a demonstrar esse teu lado!

Parabéns!!!!!!

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quinta-feira, 4 novembro 2010, 19:27
 
A Stora é a minha fã numero 1 xD
È uma grande inspiração, diga-se de passagem. È claro que vou continuar a mostrar o que sinto da melhor maneira que sei, enquanto houver quem me inspire terei sempre alma de poeta :P
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - terça-feira, 9 novembro 2010, 21:52
 
Mulher suicida


Espetaste-me uma faca que parece não ter fim

Abriste as portas que escondem o pior dentro de mim

Despertaste demónios que julguei ter efeminizado

Incineraste a minha alma sou um corpo embalsamado

Vazio de tudo e cheio de nada

Sou o estilhaço de uma gota que molha a calçada

Tão longe do céu mas tão perto do chão

Arrancaste o meu espírito e deixaste o coração

Vejo o meu reflexo partido num espelho

Sofro de daltonismo pois só sinto o vermelho

Cai de joelhos e para a vida me ajoelho

Sinto a nostalgia de tudo que agora é velho

As vezes sinto que a vida não é real

Se pratico o bem, porque carrego tanto mal

Eu não acredito no inferno, mas nele tenho vivido

Nas chamas deste inverno, correcção, tenho sobrevivido

Vagueio nestas terras já não reconheço ninguém

O ninguém quer matar-me e eu não acredito no alem

O paraíso é este mundo e todos atentam contra a salvação

Se o amor não existisse não teriam a tentação

Haveria o mais perfeito no meio desta imperfeição

Aberrações abjudicarão não vejo civilização

Cai-o na abstenção, na aceitação da criação

Eu não sou imutável, mas não reconheço esta evolução

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - terça-feira, 9 novembro 2010, 22:56
 

Perfeito (apesar do "cai-o", que estou certa ter sido um mero engano). Tenho de, uma vez mais, dar-te os parabéns!

É tão bom ter alunos assim... :) 

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 10 novembro 2010, 20:30
 
Só tenho pena ter sido motivado por um mau motivo, quando escrevi este.....
Mas nem tudo São rosas..... De bom fica o poema
Fotografia de Daniel Gavina
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Daniel Gavina - quarta-feira, 10 novembro 2010, 21:04
 
Deu para ver :)
Fotografia de Daniel Gavina
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Daniel Gavina - quarta-feira, 10 novembro 2010, 20:14
 
Muito bom, MESMO.
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - terça-feira, 9 novembro 2010, 22:02
 

Tento chegar a ti


Passo a passo, atento ao chão que me guia

tento tocá-lo, mas ele foge do meu caminho

como quem corre a meu lado

competindo, sentindo

reprimindo todos os meus passos

escassos, tento abraça-los

como quem abraça um desejo

e deseja chegar ao fim

voltando ao principio

repetindo a passada

acelerando, tentando chegar a ti

já não conheço esta calçada

mas recordo-me onde te vi

onde te escolhi inconscientemente

e conscientemente me menti

quando me meti numa lição já aprendida

em mim apreendida

não te reprimo, hó reprimida

és sentida e desejada

és uma gaivota ancorada

na proa deste barco

que vai zarpar esta madrugada

Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - terça-feira, 9 novembro 2010, 23:20
 
Amor em Outubro


O ventro sopra
folhas voam
estranho poder
neste ambiente
Caídas estão em outubro
partidas ficam com
o leve passar de…
uma figura graciosa
não é habitante nem
da terra,
nem do mar
um belissimo anjo
raro
agarrei-o e
conquistei-o
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - domingo, 14 novembro 2010, 20:39
 

Fantástico! Fico muito feliz e grata por terem uma participação activa no passatempo "Voar nas Palavras". lembrem-se que alguns poemas e/ou outros registos escritos serão seleccionados para o concurso "O Grande C".

Parabéns! Continuem a participar!

Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - terça-feira, 9 novembro 2010, 23:22
 
Música


Todos os dias penso como irei passar o dia, apesar de tudo, pondero bem o que fazer. Há pessoas muito viciadas em jogos e filmes..mas eu sou capaz de estar um dia inteiro a ouvir música. Eu não consigo viver sem música, ela é a razão do meu ser e da minha existência. É ela que me inspira para viver todos os dias com força e prazer de viver. Cada letra de uma música tem um significado para mim que ninguem imagina que podesse ter.

Apercebo-me que o amor e a amizade é importante na vida de uma pessoa, seja quais forem as suas razões.
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - domingo, 14 novembro 2010, 20:41
 
Boa reflexão. "pudesse" ter.
Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - terça-feira, 9 novembro 2010, 23:23
 
Tarde demais para desculpar

Sabem quando pensamos que já esquecemos a pessoa que conhecemos por a caso num certo sítio numa certa hora, e que de certa maneira nos marcou para toda a vida?
Isso aconteceu-me a mim, e por mais que queira, ela irá aparecer sempre nos meus profundos sonhos e pesadelos, a tortura-me como não houvesse hora que acabar aquela dor. Dizem que à terceira é de vez, e eu acredito nisso. As nossas vidas já se encontraram duas vezes em locais diferentes, e nesse momento senti um aperto que aprecia que tinha ficado vazia, como me tivesse aberto uma ferida que ainda estava a ser curada.
Passam meses e meses, e sem um pedido de desculpas de ambas as pessoas, até chegar o dia em que se vão relembrar o que passaram e arrependerem-se da dor que fizeram passar uma à outra, e como eu digo, já será tarde demais.
Será tarde demais porque o espaço que ocupada em tempos no coração, ficou vazio e agora está ainda mais cheio com a alegria e felicidade que estou a sentir à beira das pessoas que gosto.


Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - terça-feira, 9 novembro 2010, 23:25
 
amor dois

amor não se vê
sente-se
amizade não se cria
constroi-se
pessoas como tu, não
se esquecem
ficam para sempre……
Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - terça-feira, 9 novembro 2010, 23:25
 
Amizade

Amizade é
ajudante
humilde
cumpridora

Difícil é encontrar
alguém assim
porque poucos são
neste mundo cruel

os poucos que tenho
são bons pela
sua fácil comunicação
e compreensão

mas o essencial
é a confiança porque
sem ela não vivemos
Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - quarta-feira, 10 novembro 2010, 09:15
 

Felicidade impossível


questiono-me inúmeras vezes se o que vivo será real, se será um sonho ou um "deja vú" ou um milagre concebido por deus. A felicidade parece ser algo difícil de alcançar porque quanto mais procuramos, mais nos desiludimos, magoamos e tentamos esconder quem realmente somos porque temos medo de ser rejeitados.
Aquela tarde fez acordar a verdadeira pessoa que eu sou e que andou escondida durante anos, meses, horas, minutos e segundos da sua vida miserável que se tornou num sonho quando um anjo caído me encontrou no momento certo.
A minha vida começou quando te conheci porque nunca me senti tão viva como naquele dia de sol e calor do qual eu não vi bem porque a tua beleza ultrapassa a intensidade do sol e até do seu calor.
Tocar-te deixa o meu sensível coração a arder das batidas ferozes que eu sinto...
Olhos fechados ou abertos vejo-te na minha cabeça e reflecte-se no meu coração.
Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - quarta-feira, 10 novembro 2010, 20:16
 
Conhecer-te é como conhecer o desconhecido porque o teu mistério cativa-me e a tua amizade conquistou-me
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - segunda-feira, 15 novembro 2010, 14:46
 
Influências de ... Fernando Pessoa! O desconhecido é, de facto, o belo puro...
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 10 novembro 2010, 20:41
 


Poesia, eterna viagem

Oh mar, oh mar

Que onda é esta,

Que corre para me alcançar

Tão doce

E tão salgada

Tão fria,

Presença vincada, saudade,

De uma não, eterna enamorada

Dedicação!?

Sim

Cada palavra que escrevo

Sai do meu coração

Em resposta á adivinha

Metáfora foi a criação

Sensação estranha, eu sinto

Quando vejo tal pessoa

No íntimo dos seus olhos

Oiço o rugir de uma leoa

Forte e voraz

Perspicaz e tentadora

No iluminar do rosto

Vejo uma grande lutadora

Melodia que me inspira

Que é como, no deserto,

Uma paisagem

O ex libris de um sentimento

Não passará de uma miragem

É nadar em águas turvas


Ansiando ver a outra margem

É saber que vou morrer afogado

E ainda assim manter a coragem

Fotografia de João Rafael Neves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por João Rafael Neves - quarta-feira, 10 novembro 2010, 22:23
 

 Caminha-se por esta linha
 desconhecendo com quem
 e como nela se caminha
 mas a mal ou a bem
 se percorre este trajecto
 sem guias de sinalização,
 sem planos de projecto,
 sem sinais de conclusão.

 Pobre e inocente criança
 crescendo nesta estrada
 esgotando toda a esperança
 nesta faixa mal lavada.
 Adolescência de alma crua,
 amor perdidos pelos traços
 desenhados nesta humilde rua
 poluída com os vazios maços.

 À chegada da aguardada estação,
 que tanto ambicionavamos viajar,
 validando numa sombra de solidão
 ou continuamos sem o ticket validar
 receando que os fiscais nos abordem
 festejando nesta viagem gratuita
 revoltando-se contra a lei e a ordem,
 procurando aquilo que nos mais excita.

 Faz se de tudo para manter adrenalina,
 tudo mesmo.. até que o comboio trava,
 agarrados aquela vitamina de nicotina,
 sente-se aquela esperada paragem brava.
 a viagem ainda é longa, mas já demorada
 embora nos desse jeito voltar atrás
 decidimos continuar aqui com o camarada
 este saindo proclama: "Sózinho Viajarás"!
 o motorista aperta o pedal aceleração
 sem qualquer preocupação pelo passageiro
 não tem qualquer ritmo ou compaixão
 está com imensa pressa de chegar a Aveiro

 "Mais uma paragem" diz aquela automática voz
 Questiona-se que fizemos durante esta viagem
 A linha mudára desde o tempo dos nossos avós.
 Estranho é que falta alguma da nossa bagagem
 Algum carteirista ? Ou só travagens no recinte
 De nada não nos esquece-mos então o que será ?
 Olhando à volta se encontra na paragem seguinte
 Pergunta-se: "Para a próxima quanto faltará ?"

 Ninguém responde a esta nossa dúvida
 Já se viaja à tanto, há alguma compaixão ?
 Descobre-se que se está em divída.
 A quem ? .. "Já se está noutra estação ?"
 Há quem saia por aqui, com medo dos fiscais
 Aqueles que coragem tem decidem continuar
 Chegando ao tão conhecido e famoso cais
 Tudo é novo, e muito fácil de se impressionar.

 Eu cá ainda estou a rasgar o meu andante
 Eu é que escolho as paragens e o destino
 Caminhar em vez de metro viajar, é elegante
 Nesta pobre vida só caminhando é que atino!

Fotografia de João Rafael Neves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por João Rafael Neves - quarta-feira, 10 novembro 2010, 23:43
 

 Caminha-se por esta linha
 desconhecendo com quem
 e como nela se caminha
 mas a mal ou a bem
 se percorre este trajecto
 sem guias de sinalização,
 sem planos de projecto,
 sem sinais de conclusão.

 Pobre e inocente criança
 crescendo nesta estrada
 esgotando toda a esperança
 nesta faixa mal lavada.
 Adolescência de alma crua,
 amores perdidos pelos traços
 desenhados nesta humilde rua
 poluída com os vazios maços.

 À chegada da aguardada estação,
 que tanto ambicionavamos viajar,
 validando numa sombra de solidão
 ou continuamos sem o ticket validar
 receando que os fiscais nos abordem
 festejando nesta viagem gratuita
 revoltando-se contra a lei e a ordem,
 procurando aquilo que nos mais excita.

 Faz se de tudo para manter adrenalina,
 tudo mesmo.. até que o comboio trava,
 agarrados aquela vitamina de nicotina,
 sente-se aquela esperada paragem brava.
 a viagem ainda é longa, mas já demorada
 embora nos desse jeito voltar atrás
 decidimos continuar aqui com o camarada
 este saindo proclama: "Sózinho Viajarás"!
 o motorista aperta o pedal de aceleração
 sem qualquer preocupação pelo passageiro
 não tem qualquer ritmo ou compaixão
 está com imensa pressa de chegar a Aveiro

 "Mais uma paragem" diz aquela automática voz
 Questiona-se que fizemos durante esta viagem
 A linha mudára desde o tempo dos nossos avós.
 Estranho é que falta alguma da nossa bagagem
 Algum carteirista ? Ou só travagens no "recinte"
 De nada não nos esquecemos então o que será ?
 Olhando à volta se encontra na paragem seguinte
 Pergunta-se: "Para a próxima quanto faltará ?"

 Ninguém responde a esta nossa dúvida
 Já se viaja há tanto, há alguma compaixão ?
 Descobre-se que se está em divída.
 A quem ? .. "Já se está noutra estação ?"
 Há quem saia por aqui, com medo dos fiscais
 Aqueles que coragem tem decidem continuar
 Chegando ao tão conhecido e famoso cais
 Tudo é novo, é muito fácil de nos impressionar.

 Eu cá ainda estou a rasgar o meu andante
 Eu é que escolho as paragens e o destino
 Caminhar em vez de metro viajar, é elegante
 Nesta pobre vida só caminhando é que atino!

Cometi alguns erros no texto anterior, aqui está o texto corrigido , isto é o que dá não fazer uma revisão xD

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - segunda-feira, 15 novembro 2010, 14:42
 

É um orgulho ter alunos que agarrem nas palavras e façam delas notas poéticas!

Estou encantada...

Fotografia de Marco Silva
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Marco Silva - quinta-feira, 11 novembro 2010, 01:01
 

Pura ilusão ou apenas simples criação,

que me escoltas todos os dias num evidente abafo,

porque é que tem que ser assim?

Se na solidão me sinto menos sozinho

continuamente me questiono porque sinto a tua falta.

Até quando me vais acompanhar e assombrar?

Será que a hora

daquela ilustre despedida

ainda não chegou?

Quero desvanecer nos ventos da ingloriosa derrota,

invés desta gloriosa cicatriz que persiste

em me magoar

e arruinar.

Não quero desaparecer,

mas muito menos desejo viver.

Seria mais fácil alimentar outra via,

aquela descomunal saída que teimamos em não ver

e não arriscar erguer.

Sabemos que um dia ela aparecerá por si,

mas não sabemos se é a melhor.

Mas será que vale a pena ficar perdido

nas ampolas do tempo

por ela?

Dito isto, finjo e "refinjo"

numa cega esperança que esta vida irracional

passe do seu mau momento,

e que me consiga encontrar

perdido nas margens do tempo,

que me pareceu abandonar

e me tentou afogar.


Não sou "poeta", mas ás vezes anda aquele bichinho por aqui. E os erros também. :)

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - segunda-feira, 15 novembro 2010, 14:49
 

Muito bom...

"Às vezes" somos capazes de realizar algo que nunca imaginaríamos ser capazes...

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quinta-feira, 11 novembro 2010, 21:50
 

Calculo.....

Que foste fazer??!

Estou completamente chocado

Usaste todo o meu querer

Para recuperar o passado

Sinto-me sujo

E por mais limpo que esteja

Mais sujo sinto estar

Fui um mero algarismo

para o calculo funcionar

Este sujo não se lava

O sarro está entranhado

Eu sabia, hó, Sê sabia,

Não devia ter fraquejado

Mas que força nos vale?

Quando o defeito é desejo

Estou a morrer

E matei a sede com um beijo

Que fraquejo....

E gaguejo

Por entre as lágrimas, que cobrem este rosto

Envergonhado pelo desejo

Estas a chamar por mim

Tentando pôr-me maluco

Coloco os dedos na boca

E olho para ti como o muco

Passei tempo demais sozinho

A recompor o meu pergaminho

vens e queimas a minha alma

Espalhando as cinzas pelo caminho

O amanha despertará

O novo eu estilhaçado

não há arqueólogo que recupere

O pergaminho beijado

Tudo de mim fora quitado

por uma mão egoísta

De um cego teimoso

Sem um carácter vanguardista

Ouço demasiadas vozes

E todas me deixam enjoado

Esta noite dormirei é certo

Sobre o meu próprio vomitado

Ensopado em ódio

Embriagado pela dor

O pequeno almoço será este ópio

E terá o teu sabor

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quinta-feira, 11 novembro 2010, 22:47
 

Peço perdão e desculpa ao mesmo tempo

A todos que são sensíveis aviso

vou mostrar-me por dentro

Sou feio como tudo

mas afinal o que é belo?

Sou o vis cero sem visceral

sou uma junta sem elo

Sou um rei sem castelo

sou um quadro sem pincel

Sou um cego pintor

Que pinta a torre de babel

Descarrego no papel

tudo o que é entranha

Sou o rogo em cartel

Sou um herói sem façanha

Sou a manha do esperto

que a esperteza matou

Sou a morte em pessoa

Sou tudo que o vento levou

Sou um nariz assoado

E a mão que o assoou

Sou a derrota num jogo

Depois que o arbitro apitou

Sou a previsão meteorológica

Que no tempo se enganou

Sou um tremor de terra

Que uma cidade dizimou

Sou a puta da donzela

Que o príncipe não amou

Sou um corpo mutilado

Que uma mina mutilou

Sou um fado sem alma

Que Amália não cantou

Sou escravo de mim mesmo

Desde que a mente decretou

Sou uma lágrima enxugada

Sou toda uma enxurrada

Sou o traço descontinuo

perdido na estrada

Sou um pobre coitado

Que esmola na calçada

Sou mais um que passa

E passa de mão bem fechada

Sou o egoísmo humano

Sou o preto caucasiano

Sou a raça ariana

Sou a mentira anglicana

Sou uma criança violada

E também a mãe chocada

Sou o pai revoltado

sou o punhal espetado

no peito do depravado

Que fora santificado

Sou a erva ceifada

pela vaca ruminada

sou apenas uma caneta

com a carga esgotada

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - segunda-feira, 15 novembro 2010, 14:53
 
Que inspiração!
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - terça-feira, 16 novembro 2010, 23:24
 

Perdido, mas encontrado

Já não percebo este mundo

Mas entendo bem este chão

Não desconfio desta terra

Mas sim dos que cá estão

Está cá alguém?

Sinto estar tão sozinho

Já não reconheço estas formas

Que se vão cruzando no meu caminho

Queria sexo com a minha consciência

Mas ela diz não aceitar

Ao menos não finge que mo daria

Para depois não mo dar

Como qualquer outro tiraria

Qual outro?

Faria?

Onde está a companhia?

A companhia está ao levantar

quando o despertador acorda

passei a noite com a insónia a falar

E ela nem sempre concorda

Em ficar acordada

Mas eu insisto em não dormir

Esperando que De uma assentada

A terra volte a ser pisada

Dogma 16-11-2010

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - quarta-feira, 17 novembro 2010, 12:41
 

Genial!

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - terça-feira, 16 novembro 2010, 23:56
 

Nostalgia

Gostava de dizer que tenho sonhado

Mas vou ter de me questionar primeiro

Se poderei sonhar acordado

De olho bem arregalado

Pelo sangue irrigado

Flashado por memorias trepidantes

Injectadas na retina

Mergulhão nas cataratas

Debito palavras como quem escreve atas

Detesto o passado são um monte de atas

Esquecidas, acabadas

Abafadas no pensamento

Recordadas estoicamente

Até que não lhes reste tempo

Nem réstia nem vida, apenas o vazio

De um antigo sentimento

Dogma 16-11-2010

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - quarta-feira, 17 novembro 2010, 12:42
 
A alma nostálgica...
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - domingo, 21 novembro 2010, 19:48
 

Diáriamente contido


Começou estranhamente sem sequer ser ensaiado

Improvisado foi o desejo num local indesejado

Através de um click surgiu a motivação

palpitou a questão fora de questão foi a razão

Mais uma fase uma nova etapa

2 vidas que se cruzam assinaladas neste mapa

Redescobrir horizontes vendo alguém necessário

viver o mundo ao contrario num espaço temporário

preto no branco sem direito a corrector

és o mais belo dos poemas e eu sou o teu autor

Sem borrachas nem porquês ou complexa justificação

catch me if you can adoro a tua concepção

Terás o teu lugar bem presente nesta alma

Revejo o teu sorriso numa palavra que me acalma

Passo em lugares comuns só vejo a comunidade

Sou um espelho da tua sombra reflexo da idade

És uma virtude no passado um defeito no presente

Não deixas de ser quem és com um olhar irreverente

Marcado com a cicatriz de uma nova lição

Afeição indefinida consomes a confissão

Mão esquerda direccionada ao lado esquerdo do peito

Esse mesmo que transborda o sinonimo da vida

O significado de amar numa mão carregada

Sou um quadro solitário numa sala abandonada

Um traço leve e suave numa folha de papel

Um pintor sem pincel que pinta a torre de babel

Lentamente escreve o teu nome em retrato

Retrato aquilo que vejo para lá do abstracto

Este rosto humilhado não tira os olhos do chão

Carrega consigo o peso da Lusitana Paixão

Acabado de escrever sinto um aperto no coração

Vejo memorias da vida sinto o cheiro do caixão

Retiro então os óculos e vejo concretamente

O vazio desta dor que me cegou completamente

Vejo estrelas á noite lutarem pela sobrevivência

Envio-te o meu espírito em sinal de desistência

Retiro então os óculos e vejo concretamente

O vazio desta dor que me cegou completamente

Vejo estrelas á noite lutarem pela sobrevivência

Envio-te o meu espírito em sinal de desistência

Busco algo que me permita emendar o errado

Reviro pensamentos recortando o passado

Colecção aberta nesta mente desdobrável

Tento chegar a ti mas tu pareces intocável

Prossigo sossegado ruidoso inquietável

O silencio que esperava tornou-se insuportável

Por breves segundos apenas vejo a noite passar

Peço-lhe um abraço forte mas ela insiste em não me dar

Aquilo que partilha-mos num desejo bem comum

A vida são 2 dias e eu não quero ser mais um

A correr atrás dela á procura da resposta

Se isto é um jogo eu já fiz a minha aposta

Numa amostra de carinho quando caminho sozinho

Vejo o vento levar as cinzas pela janela do destino

Pareces estar tão ausente ao mesmo tempo tão presente

porque que retrocedes quando dizes estar ciente

Daquilo que tu avistas neste mundo á tua volta

Instigas um coração com amor ódio e revolta

Provocas a guerra em mim entre o céu e o inferno

Eu não quero marcar passo porque nada é eterno

Dei terno no retorno para me chegar tão perto

É tudo demasiado forte para ser indiscreto

Cada partícula que se solta escorre do meu rosto

Mostro a sangue frio todo o sentimento exposto

Composto em melodia disposto em caligrafaria

Compondo por palavras pinto a tua fotografia

Indagador do tempo embargador da despedida

Agressiva foi a dor da sensação desconhecida

Abandono concedido sem acordo definido

Escarnido sentimento com que fui auto-punido

Prevenido erradamente acabei desprevenido

Levantei a mão do peito e gritei sou um bandido


Retiro então os óculos e vejo concretamente

O vazio desta dor que me cegou completamente

Vejo estrelas á noite lutarem pela sobrevivência

Envio-te o meu espírito em sinal de desistência

Retiro então os óculos e vejo concretamente

O vazio desta dor que me cegou completamente

Vejo estrelas á noite lutarem pela sobrevivência

Envio-te o meu espírito em sinal de desistência

Dogma 21-11-2010

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - segunda-feira, 22 novembro 2010, 13:40
 

Inacreditável!

Sinceramente, nunca julguei que fosses tão profundo, tão genial! Tens a alma na ponta dos dedos e teces poemas com o suor do ser da tua alma.

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - terça-feira, 23 novembro 2010, 18:32
 
Sou tudo aquilo que me deixarem ser........
Sinto por natureza e foi sentindo que me ensinaram a viver
A genialidade que me aponta não é mais que o amor que sinto quando escrevo
para mim criar poesia não é riscar simplesmente, mas sim encarcerar dentro de um folha pedaçoes do meu ser.....
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - segunda-feira, 22 novembro 2010, 22:18
 

Vagueio por entre as páginas do meu ser e já não sei ser quem apenas sou! Será que algum dia alguém compreenderá a verdadeira essência do seu próprio eu?

 É tão complicado e doloroso viver por entre vidas agarradas a uma mera aparência!

Com dedos de algodão, traçamos as linhas da nossa existência...sempre...sempre com um receio voraz de que na próxima esquina da nossa face, surja o vulto que irá devorar aquilo que apenas queremos ser. 

Um leve e breve suspiro sai-nos do peito, num ritual de paixão e ilusão, deixamo-nos levar pelo ideal de um amor perfeito; procuramos de forma metafísica penetrar fisicamente na felicidade inexistente, essa é apenas aparente...

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - terça-feira, 23 novembro 2010, 21:58
 

Vagueio no meu ser

Com a minha alma de mão dada

Já não reconheço quando durmo

Ou quando estou acordada

Deambulo com escribas

Em busca do meu pergaminho

Sei que o encontrarei algures pelo caminho

Espero não lhe perder o rasto

No meio deste mundo nefasto

Que devasto por arrasto

Como quem odeia um padrasto

Repasto com a vida

Em terrenos nunca pisados

Sinto o primeiro beijo, como dois apaixonados

Aquecidos pelo fogo dão o primeiro passo

Desconhecem o final mas não dispensam o abraço

Arriscam ao arriscar sem medo de errar

Erram diariamente porque quiseram acertar

Envoltos em espelhos fundidos pelo seu semelhante

São todos opacos só desvendam o semblante

Neste mundo translúcido onde tudo está previamente reservado

Vou fugir ao escrito e encarcerar mais um bocado

Dogma 23-11-2010

Dedicado a Raquel Ribeiro

Fotografia de Patricia Martins
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Patricia Martins - quarta-feira, 24 novembro 2010, 18:12
 
Mão esquerda , direccionada para lado esquerdo do peito, esse mesmo, que transborda o sinónimo de vida, o significado de amar, nessa mesma mão, carregada de sentimentos, seguro levemente uma caneta que transbordará todo o sentimento para um espaço vazio, um enorme quadrado solitário, nome este que lhe atribuiram, uma folha, leve e suave folha de papel que transborda o vazio que sentimos quando nada nos rodeia .
Levemente , escrevo o teu nome para que num obscuro vazio este se realce pelo que de melhor pode existir, acabado de escrever , sinto um enorme aperto no coração, uma sensação estranha de saudade, floresce de novo e com ela leva uma lágrima que me humidifica o rosto, esta que parece nela transportar o desejo de te tocar, um peso estranho , uma vontade desconhecida de te poder alcançar , retiro então os óculos, completa A dor bate fortemente em mim , olho estrelas da noite e com elas , procuro uma pequena borracha, algo que me permita emendar o que de errado escrevi, reviro mente , espirito, pensamentos , sentimentos , e recordando passados , apenas revejo 4 letras , letras bem destacáveis e fortes, letras às quais ninguém consegue resistir, juntas formam algo imcommpriensivel , AMOR.
Coração acelera, fortes batimentos torturam esta pequena mente , revê pensamentos, revê então formas de a ti chegar, de novo o silêncio da noite parece-me ruidoso, ruidoso de mais para sossegar o inquiétavel coração , e assim , inssosegadamente inquiétavel, os olhos pesam, o coração pára e por breves segundos vejo a noite passar!
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - quarta-feira, 24 novembro 2010, 22:13
 
Agora compreendo as palavras, as palavras que gritam no meu grande aluno Dogma!
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 24 novembro 2010, 22:25
 
Sabia que a stora iria perceber.......
Escrevi aquilo inspirado em 3 textos e este foi um deles....
De que me serve a genialidade afinal??
Se sou só papel e tinta........
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - quinta-feira, 25 novembro 2010, 10:43
 
Papel pintado a tinta de ouro que nos eleva o ser...
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - sábado, 27 novembro 2010, 09:44
 

"Amar não se conjuga no passado, ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente."

Fernando Pessoa, Pantaleão

Fotografia de Janai Monteiro
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Janai Monteiro - quarta-feira, 24 novembro 2010, 19:00
 
Caminho Traçado


Percorro um caminho recto, escuro e abandonado
Deixo de pensar em tudo que tenho deixado
Sinto a alma leve a transportar-me o corpo
Sigo em frente a minha vida com maior sufoco

O meu coração aperta por tudo que tenho feito
Dou sempre o melhor mas não há perfeito sem defeito
Corro para o infinito num mundo a preto e branco
Contrastes de figuras perdem o encanto

Encontro-me preso nesta enorme sala hermética
Poder é ganancia, frieza e estética
Suspenso pela idade, mentalidade e evolução
Olho no espelho amor e traição

Arma apontada, quero-me livrar disto tudo
Parto o espelho com a bala, sinto-me um miúdo
A sobrevoar a sala onde estava presente
Sai tudo cá para fora com o que vejo a minha frente

Corpo morto deitado num chão sangrento
Suicídio, forma de dizer "não aguento"
Deixei tudo sem pensar em tudo que convinha
Agora sozinho tudo é mais escuro que o caminho que tinha...




musica disponível em:

www.myspace.com/janaihh



:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - quarta-feira, 24 novembro 2010, 22:21
 
Janai!!! Tens de revelar ao mundo este teu talento: nem pareces o "meu" Janai,o menino que entrou no IPTA sem vontade de continuar. Hoje, e apesar dos receios que sei teres, vejo-te tão sensível, tão reflexivo, tão...tudo! Parabéns! Espero ler mais poemas teus, para além dos que me escreves nos enunciados dos testes.
Fotografia de Nuno Ferreira
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Nuno Ferreira - sexta-feira, 26 novembro 2010, 13:51
 
Tempo - Dança da Vida

O dia floresce com uma composição de palavras belicamente composta.
Olho o céu, embora com uma tonalidade ainda escura já não vejo as estrelas que me apaixonam o pensamento e mistificam desejos em pura conexão com a Lua, porem do outro lado da margem, luzes vindas de uma população desenvolvida ainda brilham cintilantes iluminando olhares discretos.
Sento moribundo numa pedra gélida no meio desta densa floresta de sentimentos que me gela a alma, ouço atentamente a chuva transmitindo-me mensagens da natureza oriunda dos confins mais belos e vejo-a cair, bela, bela e misteriosa, invadindo os recantos mais tórridos de cada partícula do terreno árido, assim como a nostalgia de momentos passados invade a minha alma. Passados num momento intemporal de um tempo passado. Ouço passos decalcados sob a água que inundou o terreno, sinto cada vez mais próximo passo ante passo o pensamento que decalca a minha linha do destino, linha bem marcada num curto, mas tão complexo espaço de sabedoria.
Embarco numa viagem sem retorno certo pelo meu inconsciente e reencontro vezes sem conta a minha inocência, pureza e simplicidade de um olhar de criança nos recantos mais profundos apagada e gasta pelo tempo. Tempo, tempo insuficiente para me tornar adulto. Tempo, tempo suficiente para desvanecer a criança inocente. Tempo, tempo insuficiente para transformar em concreto o meu abstracto de verdadeira vivencia.
Recordo como fui aprendendo o que queriam que aprende-se e sinto um valor nulo de sabedoria, porem num pensamento paralelo recordo o que tive de aprender pela própria escola da vida e vejo um valor incalculável de sabedoria que permanece intacto com o desgaste do tempo que passa a vida e acelera os momentos.
Sinto que está na altura de recomeçar uma nova fase da minha vida, altura de assumir a maturidade própria da idade, altura de a conjugar com a criança que há no meu inconsciente formando uma sintonia perfeita, estabelecendo a verdadeira dança da vida!
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - sexta-feira, 26 novembro 2010, 16:22
 
Adorei! Finalmente, conseguiste revelar a magia das tuas palavras! Continua a divulgar essa tua faceta! Parabéns.
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - quinta-feira, 2 dezembro 2010, 21:54
 

O Amor é o único elixir metafísico capaz de penetrar fisicamente na alma do nosso outro eu!

Raquel Ribeiro

Fotografia de Nuno Ferreira
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Nuno Ferreira - sábado, 27 novembro 2010, 12:59
 
O dom da palavra vadia que preenche a alma livre, esvoaçando por pensamentos certos de incertezas e questões, é uma dádiva de inspiração da veia poética . O verdadeiro poeta não procura a inspiração, a inspiração é que procura o verdadeiro poeta com o intuito de ser recriada na tinta que corre sobre o papel solto como por magia, preenchendo e colorindo uma utopia de cores frias e mortas. Nada é pensado, tudo flui momentaneamente como encadeado entre si, dando um sentido final e único que transparece para o papel a verdadeira essência e alma do seu recreador !
:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - sábado, 27 novembro 2010, 17:19
 
O docente é o maior aprendiz junto dos seus discentes, quem julgar o contrário, não conhece o sabor do verdadeiro ensinar/aprender!
Fotografia de João Rafael Neves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por João Rafael Neves - domingo, 28 novembro 2010, 12:20
 
Tais palavras me inspiraram para umas rimas escrever
Após ter lido isto é difícil as minhas mãos e alma conter:

...Vagueamos, caminhamos e saltamos em plena rua
com o máximo de cuidado para esta não andar nua,
aconchegada entre algumas das superficiais amostras.
"Ninguém te conhece melhor que eu quanto é que apostas ?"
Frases feitas, apenas para mostra que sabe visualizar ?
Mas como se conhece algo se não se está lá a habitar ?
Nem o próprio Dono da casa conhece os seus interiores
Então como se avalia se só se conhecem os exteriores ?
Pois, é impossível, por isso eu tenho orgulho de afirmar,
A essencia é um alicerce, é algo que não se pode negar.
Fotografia de João Rafael Neves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por João Rafael Neves - segunda-feira, 29 novembro 2010, 23:35
 

Envio aqui o documento com o os poemas e reflexões, anteriormente escritas, para o concurso Voar em Palavras.

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - quinta-feira, 2 dezembro 2010, 21:41
 

Se pudesse dizer o que de facto o pensamento me pede para dizer,

Ficaria sem saber

O que fazer da minha alma,

Roubaria do meu ser toda a minha calma…

Como um vagabundo, andaria perdida por entre a multidão

Nua, despida, repleta de solidão…

Fantasmas de outrora

Que corrompem uma quimera

Que se possui numa hora

E se destrói num segundo!

Qualquer verdade tem uma mentira de fundo…

Mágoas magoadas

Por pessoas desprezadas

São tormentos

Sem fundamentos

Algozes

De todos os que ousam levantar as vozes!

 

 

 Raquel Ribeiro

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - quinta-feira, 2 dezembro 2010, 21:53
 

Se o amor fosse definível, perderia a grande magia de ser o nada que é o tudo.

Raquel Ribeiro

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - sábado, 4 dezembro 2010, 12:01
 

Inocentes pecadores

Veio o céu á terra

Com utópicos esqueletos

Ressuscitaram-se escribas

Para escriturarem os mais belos sonetos

Tecidos no inferno pela autoria de Lúcifer

Mapas do paraíso no corpo de numa mulher

Pecaminoso trilho harpa do arcanjo

Espada de dois gumes disfarçada de anjo

Sufrágio ensanguentado reflector da nossa essência

Queimão no purgatório todas as não cinzas da inocência

È decadente o espírito daquele que ousou navegar

Hieróglifou Lúcifer que a maior loucura era amar

Auto de fé em busca da própria Vénus

Afrodite metafísica alquímica deusa

Transmutaste o meu sangue em elixir da vida

Sou água virgem da fonte nunca bebida

És o Eros que sinto conquistado ao mais sagaz ciclope

Som vitoriosos de Dom Quixote a galope

Dom Ruah das pampas, Terra mãe gaia

Alimento-me do teu ar minha aia

Corro no teu leito para deleito do meu paladar

Sinto-te bem no céu a cada gesto de beijar

Poderosos afrodisíaco tridente em chamas

Que se ardam os escribas é a mim que amas

Dogma 04-12-2010

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - sábado, 4 dezembro 2010, 13:04
 

Nem sei o que dizer...és genial, Dogma!

A única coisa que posso fazer é responder com um poema meu (em anexo).

Fotografia de Patricia Martins
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Patricia Martins - domingo, 5 dezembro 2010, 00:15
 
Texto Realmente Sentido , Funeral Proposto
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - segunda-feira, 6 dezembro 2010, 13:54
 
O sentido é sentido faz sentido quando vivido
exprimir assim o passado não é vergonha
è sim um orgulho invejoso
uma inveja de um passado que não é meu
mas ao qual já pertenço
não por palavras porque essas já mas roubaste
mas sim com um sentido autroista
de quem não é egoista e reconheçe o valor de outro
Pequeno grande artista!

Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - quinta-feira, 9 dezembro 2010, 21:44
 
O amor é talvez o sentimento mais complicado porque quanto mais se luta , mais se magoa, e quanto mais amamos, menos nos amamos a nós próprios.
Deixamos de sentir que o nosso corpo é nosso, que a nossa alma é nossa, sentimos que nada nos pertence, desde momento em que, quem amamos, nos retirou isso. O meu pequeno e frágil coração ficou vazio, ficando apenas o amor que tenho por ela, pois o resto foi-me levado no momento que a conheci.
Quando é que vou deixar de sofrer? Ou sofrer faz parte do amor?
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - domingo, 12 dezembro 2010, 03:36
 

Jogo de sorte

Hei! Que é isto! sinto-me espacial

Negra mente vazio crescendo de forma exponencial

Acorrentado a palavras, virtudes inibidas

Paradoxais desejos exterminadores de vidas

A minha corre por entre a palma da mão

Cruza linhas destinatárias sem rota de orientação

Aperto profundamente 4 dedos e um pulgar

Solto os dados bufados com o brilho de um pulsar

Expectáveis murmúrios sonhos sombrios

Levo as mãos á cara, que se soltem os rios

Da desilusão viciada de um vicio que viciou

Sentimento de perda do louco que amou

A alma toma posse e docemente nos tenta

O cego por ensaio busca a miragem que o acalenta

Alimento que tormenta, atormentado, capataz atroz

Atrás de uma mascara começa a ouvir a voz

Deixa-me dar-te algo para morreres a sonhar

Para mim sonhar é viver, não quero acordar

Dogma 12-12-2010 03:33H

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - terça-feira, 14 dezembro 2010, 20:50
 

Quem sou eu??

Quem sou eu?

Sê não um rasto da tua sombra

Quem és tu?

Sê não a sombra que arrasta o meu rasto

Sou um carrasco

Assassino do meu próprio sentimento

Senhor do que sinto, coagindo

Com o medo de te perder, absinto

Bebo até não mais queimar

bebo até que os dedos não mais

Se guiem na falta de guias desta branco

Bebo em busca do brando conforto

Só de imaginar, teu corpo, bebo até ficar torto

Bebes para esquecer?! Não, bebo para não desejar

O pedaço de céu que toco, mas no qual não posso entrar

Vivo nas margens, á margem do deleito

Amo o suposto feio, aos meus olhos perfeito

Dogma 14-12-2010 20:46H

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - sexta-feira, 17 dezembro 2010, 20:56
 

Tetrapack

Tas me a consumir tal como os outros consumiram

Sou embalagem aberta, depois que os outros abriram

Produto furtado mas não contrafeito

Quem disse que abertura fácil não era um defeito

Bebe até a ultima gota memoriza o prazer

Quem colheu esta polpa não volta a espremer

Os frutos do passado não dão sumo jamais

Criações límpidas de actos carnais

Que outro sumo jorra da carne que não o vital

Perde-se o elixir da vida num fumo espiritual

Acto tribal partilhado ao relento

Multiplicam-se as estrelas eleva-se o pensamento

Ao estado vadio, transformação viral

Vitral espelhado de uma figura ancestral

Roubam-se se os astros com suspiros poéticos

Snifam-se constelações com sentimentos patéticos

Roubar o universo será demasiado perverso?

Porque me sinto então roubado de verso para verso

È inverso toda esta desmistificação

A vida é complexa não tem explicação

Tem ternos e retornos, tem os teus ténues contornos

Dogma 17-12-2010 20:50H

Fotografia de Patricia Martins
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Patricia Martins - sábado, 18 dezembro 2010, 22:53
 
Pensamentos Vagos

Pensar eu ja pensei ,
que talvez penses que eu pense em pensar o mesmo que tu pensas
pensamos em algo que tu penses que pensaremos

Penso que pensas e imaginas o que penso que estarás a falar
Penso que pensamentos pensarão por nós
Pensas que pensei de mais por ter pensado nos teus pensamentos

Eu hoje penso que por pensar no que pensas ,
Talvez o pensar do pensamento nao seja suficiente
Então pensa comigo que juntos pensaremos o pensar dos outros..

Não espere , pensemos um bocado
Pensar o Pensamento dos outros,
Faria com que pensassem que pensamos em roubar originalidade
Então pensemos por pouco que seja o pensamento.

No fim pensaremos , que no meio do pensamento
Pensamos de mais para perceber entre o vento
O pensar da natureza
Que um pensamento não passou de um pensamento !

Já pensas-te que secalhar pensas de mais
Só por um momento pensares que percebes o meu pensamento ?

Então pensa que eu penso que o percebes-te
Para que no fim percebas que não pensas com o meu pensar, nem com o meu pensamento!

Patricia Martins // 18-12-2010
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - terça-feira, 21 dezembro 2010, 03:49
 

Silêncio

Mereço cada gota de ódio sem ripostar

Sinto o estrondo das tuas balas no meu peito sem pestanejar

Agora consciente sinto falta do meu ar

Aboliu-se como água, que não volta a condensar

Não á conversa, não há palavras, não há que falar

Só o rasto do que foi dito, e o meu rastejar

É de estranhar, sê a mim coube a desgraça

Sem lugar, sem comunidade, uma raça

Estereotipei-me num precipício passado

Deambulo desconhecido, reinventado odiado

Igual a tantos outros que souberam errar

Vi um mundo mudar não sendo capaz de olhar

Em volta, pois não sinto arrependimento

Alimento uma mágoa desconhecendo o alimento

Já fui no tempo, confidente, hoje nada

Sou estatua vazia, uma pedra espancada

Para cada acto uma consequência, semeei uma tempestade

Aceitarei a mentira como sendo verdade

Num silencio mórbido tenho sucumbido

Solidão mulher minha, sou mau marido

Tenho seguido passos sem os saber pisar

O meu orgulho maior, era me orgulhar

De te ter seguido, de te ter encontrado

Perdi-te no nevoeiro, imensamente cerrado

Venho descobrindo a vida, e com isso, erro

Quanto mais ramo verde piso, mais me enterro

No meu enterro, assisto ao meu funeral

Fumo essenso de vela, vindo de um castiçal

Não há retorno, quando sê é cavaleiro errante

O medo torna-se real e a realidade sufocante

Dogma 21-12-2010 03:46H

Fotografia de Patricia Martins
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Patricia Martins - quinta-feira, 23 dezembro 2010, 22:41
 
Mundo Exterior

Novo mundo irregular, inparcial , paralelo à incapacidade de estar estável , Olhando a meu redor , vejo e admiro o tom esverdeado puro do céu , o negro negrume admiravelmente obscuro das nuvens, olhando o chão que piso , vejo admiravelmente o lindo azulado da relva, o rosa do gelo , escorrego entre o tempo, e quando caio em mim já a clareza da noite se apoderou desses tão lindos tons do dia ..
Por entre voltas e reviravoltas na incerteza , passeio o medo com receio , olhando para o ceu que me cobre admiro simples pontos em tons de cinza que parecem iluminar um dia escuro ...
Com o passo acelerado , tento alcançar cada um deles , subindo degrau a degrau, mesmo incertos , irregulares e ruidosos , continuo subindo ,dou um enorme passo na esperança de assim poder segurar cada um deles na palma da minha mão , sem receio , escorrego, vejo o degrau cair na mais funda queda , por entre mãos suadas e duridas, completamente feridas , tento procurar forças para voltar a subir, equilibrada de incertos medos encontro assim um ponto de chegada, por entre sacrificios , finalmente vejo-me voltar Às escadas, ja com o corpo aliviado, chego-me à frente e observando a queda sinto uma força empurrar-me para lá do buraco negro , tento perceber de onde vem essa força bruta e apenas em milésimas de segundos vejo uma face desfocada, tento manter a calma por entre o ruido do vento , mas nada me acalma (...)
Abro os olhos repentinamente , nada passou de um pesadelo, por entre lágrimas e batimentos cardiacos realmente acelerados, corro para a janela, reparo que tudo nao passou de imaginação, que a noite será sempre escura, mesmo depois de uma queda num buraco negro, em pleno dia (...)
Imagino o que aconteceria se realmente tivesse alcançado todos aqueles pontos em tons de cinza ..
Nada me passa pela cabeça , dou por mim a imaginar quem teria assim tanta força para me deixar cair , mesmo depois de uma grande batalha para me manter no topo (...)
Concluo que para sorrir não basta amar , não basta 1 momento , para sorrir é preciso aprender , pois mesmo tendo a pessoa que amamos conosco , muitas lagrimas continuarão a cair , mesmo quando so temos motivos para lançar um forte sorriso, sorriso todos transmitem, verdade, todos ocultam, pois a mim ainda ninguem me ensinou realmente a sorrir com corpo e alma , mas ainda hoje sorrio (...)
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - sábado, 25 dezembro 2010, 22:46
 

Retratos de invisiveis


È fechado neste quarto que eu ganho inspiração

Viajo para o meu mundo combato a solidão

Mergulho em dúvidas procuro uma conclusão

Sedento duma percepção sobre a obsessão

Jogo mental fadiga emocional

Estado alucinado divergente do normal

Droga vocal que controla o teu pensamento

Habitado por um parasita gold diger atento

Saqueador de vida de todo o ser que respira

Atenta á sanidade daquele que domina

E o dominado permanece não acordado

Adormecido por aquele que o tem maniatado

Sedado sem auxílio da injecção

Não é capaz de ouvir as vozes desta multidão

Forro colectivo que se mantém vivo

Grita desesperado sem nunca ser ouvido

Tentativa infértil de salvar o amigo

Indigente á deriva sem todo e qualquer sentido

Perdida na causa de amar e ser amada

Eterna ignorante de que esse amor é uma fachada

Vai tira proveito sem nenhum valor moral

A tua evo-regressão é o teu pecado capital

És só mais um original normal na realidade

Aproveitas o facto de lhe teres tirado a virgindade

Único acto sem possibilidade de repetição

Praticas diariamente sem sentido ou paixão

Sexo é a palavra que define essa amizade

Fui eu que te dei as bases para a fertilidade

Ironia do destino que fez de mim culpado

Mas quem me manda a mim ser mestre sem doutorado

Experiencia de vida traz-nos sabedoria

Se soubesse o futuro faltava naquele dia

Apresentação de escola foi essa a motivação

Eu não podia imaginar sentir aquela sensação

Simultânea que me fez ficar de lado

Abri as portas do prazer aquele pobre coitado

Inocente na matéria porque a vida assim o quis

Julguei ir verte feliz agora sou eu infeliz

Com uma escolha fortuita que fui eu que fiz

Precariedade na matéria serei um eterno aprendiz

Começou á 3 anos e parece não ter fim

A solução de um problema que não escolhi para mim

Eu fui apanhado com pormenores sórdidos contados

Informação dispensável de 2 loucos viajados

De casas a obras das obras á casa abandonada

Eras principiante mas agias como sobredotada

Fecha o livro estou farto desta historia

Infelizmente isto é verdade faz parte da minha memoria

São páginas rasgadas que não consigo apagar

São parte destes versos que n êxito em recitar

Recito na esperança que me traga a melhoria

Um sorriso verdadeiro o calor da tua companhia

Palavras verdadeiras que não acabam na cama

Eu sou o mesmo de sempre nunca ando á paisana

Real e verdadeiro assumido a tempo inteiro

Se sexo é amor então eu sou paneleiro

Sem medo de assumir e sair do armário

Eu vivo neste mundo girando-o ao contrário

24 Horas diárias a poluir a vossa atmosfera

O cubismo é emergente não percebem a quimera

Seguindo passo a passo não fico á vossa espera

Ciente do que sou nunca penso no que era

O passado é a bagagem que tenho de carregar

Carrego consciente de que não a posso largar

Carga pesada avaliada em experiencias

Colectânea original porque eu não sigo tendências

Tendenciono o meu espírito a elevar-se a algo superior

Porque a moda é nada e o nada é sem sabor

Não tem brio e muito menos colorido

Eu vivo do meu lado e nunca sou arrependido

Sentimento contraditório depois de criaar expectativas

Tu abusas da vida tomas medidas excessivas

Contra-medidas são pedidas facultadas por raparigas

Facultam com prazer para serem conhecidas

Beata na mão depois de terem o conhecimento

Realidades paralelas ou puro divertimento

Flash-back tudo acontece com o teu consentimento

E ninguém te pode defender sem saber o momento

Fatídico com sentimento hedonístico

Eu fico na oposição mantenho o estado crítico

Censura eu não concordo mas vou-me contrariar

Hoje sinto-me impotente mas isso vai mudar

Com as circunstâncias duma vida nada dura para sempre

O tempo é uma constante e eu vou ser consequente

Passeata na avenida em frente ao multibanco

Vais voltar a escrever mais uma página em branco

Parágrafos vádios sem direito a pontuação

O paradigma não muda veste sandália e calção

De volta ao serviço vai subir a inflação

Sem custos nem gastos lá se foi a tradição

Da profissão vindoura mais antiga do planeta

Não ames a estrela se desejas um cometa

Olha para o céu tira os olhos do chão

Deixa a filosofia no livro e passa á acção

A teoria e a pratica andam bem amarradas

Não querias o elevador tens de subir as escadas

Só a prática te levara á perfeição

As enumeras desculpas são sinonimo de decepção

Falhanço evidente de quem não toma uma atitude

Austera quem tu és atinge a plenitude


Dogma ..../....2009

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quinta-feira, 6 janeiro 2011, 22:03
 

Ninguem

Ninguem sabe por certo sequer adivinhar o que não sabes

Ninguem sabe, tão erradamente, por que finges

Ninguem sabe, sequer em instantes, que mentes

Com a pericia de quem sabe cair a sorrir

A mentira que finges como sendo a tua maior qualidade

...E sim digo que é qualidade, toque que nos torna unicos

E ninguem recria, finge, mente

Para os outros tão bem uma dor como tu

Foi a ti que eu empurrei tão erradamente,

E tu mentindo, não empurras os outros tão viamente

Quanto eu tu fiz, sorris, sorris e sorris

Não esperes nada de ninguem, sempre o semeei

E nem eu póprio esperei,

Tão pouco esperava, de uma maneira ou de outra,

Não havia outra, eu sempre te quis ensinar

Nunca magoar,não sei o fingimento tão bem como tu,

Por isso não fingo que durmo leve,por mais suor que perca

Ninguem sabe, pois só tu no fundo saberás

Um dia acordarás, e saberás tal como sempre soubeste

Tu és tu, e ninguem sabe de ti, quem te perdeu,

Senão aquele que já não semeia o que colheu

Ninguem percebe tão bem o branco como quem "morreu"

Saber de ti, ninguem sabe, pois ninguem vive depois de morto

Os mortos ainda não se erguem, e eu permaneço enterrado

Em cada sorriso recordado em cada derrota em cada vitória

E cada lágrima que te provoquei, inunda a minha memoria

E a memoria de ninguem sabe, tanto como soube

Tanto como coube, soube sim, soube a pouco,

Mas não sabe mais, nem há mais quem saiba

Ou possa saber, há o saber de te ver caida bem de longe

Ninguem, ninguem, não ninguem ninguem! sabe

Sabe-lo, saberia eu, saberia... soube, hoje...

Hoje, Ninguem sabe!

Dogma 06-01-2011 21:59

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quinta-feira, 27 janeiro 2011, 17:26
 

Amante do Diabo

Hoje choro sobre a pedra da calçada
A minha alma esta vazia e a minha casa abandonada
Paredes mudas a meias com papeis riscados
Abandonei os meus retratos tenho os olhos costurados

Pelo braço esquerdo de Deus,amante do diabo
Vivo tão morto como vive Saramago
Falecido, desfaleço por entre arrependimento
Tacteio as minhas chagas e cheiro o teu crescimento

Sem sentido no sentido deitei fora a minha rota

Aperto o vazio da minha mão não te vejo há minha volta

Não tenho a tua luz não sei ir daqui a li

É longa a distância e o muro que ergui

Quero dizer-te algo mas o palato não desperta

A minha voz esta seca já nem me resta a fonética

Quero agarrar-te mas a minha mão esta aberta

Quero dormir mas o teu eu desperta

Vejo-te nesse palco, sorrir é o teu talento

És uma estrela no céu que me cobre ao relento

A cortina vai descendo, e o silêncio insurge

Assalto o relógio mas mesmo assim o tempo urge

Olho-me ao espelho, com olhos de quem odeia

O reflexo desconhecido que o caos semeia

A ideia é nipónica a minha vontade Bonaparte

Ouço os teus suspiros e preparo-me para o combate

Eu compreendo mas porem não quero compreensão

Depreendo então que quero toda a tua aceitação

Sem razão meritória busco o sonho contigo

Viver acordado até ao ultimo suspiro


Roubar-te do mundo seguindo todos os teus passos

Continuar o tracejado preenchendo todos os espaços

Ser a palavra certa no quadrante indicado

Fazer todo o sentido num papel rabiscado

Compor o teu céu num estado alterado

alterar o estado para um sentido figurado

figurar fiel humilde sendo capacitado

Aprender com o erro dizendo adeus ao passado

Dogma 24-01-2011 21:09H

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quarta-feira, 23 fevereiro 2011, 11:54
 

Pretérito imperfeito

Como faria se o que fiz não foi feito

Seria num passado o teu presente mais perfeito

Eleito sem destino não caminho a direito

Linhas são tortas eu sou mais que imperfeito

Derivo da palavra H ser humano

Vivo com o erro pois o tempo é sobrano

Nunca me engano, enganado já nasci

Vivo diáriamente com tudo aquilo que aprendi

Desaprendo quando aprendo sem consentimento

A essencia do futuro é preservar o sentimento

O valor na demência quando a tua voz ecoa

No fundo eu talvez ainda seja uma pessoa

Vocábulo etrusco, persona vinda do teatro

Definição concisa num plano abstracto

Redução de informação tida como dispensavel

A crise de identidade é uma mascara mutavel

Espaço do pensamento dita personalidade

Sujeito de direito erra com facilidade

Faculdade fisica de direito tributário

A origem mais remota vira o teu mundo ao contario

Refrão :

Ideias são distanciadas do objecto em questão

A questao que se poem é perceber a razão

Dos valores atribuidos na hora de evasão

A vida é uma constante eu vivo na sucessão

Ideias são distanciadas do objecto em questão

A questão que se poem é perceber a razão

Dos valores atribuidos na hora de evasão

A vida é uma constante eu vivo na sucessão

De conceitos a preceito no processo evolução

Hereditarias caracteristicas formam uma geração

De estado desempenhado numa nova adpatação

Mutualista empenhado sita a cooperação

Abri uma porta negaste-me uma oportunidade

Fechou-se uma janela aberta para a antiguidade

O passado esta trancado numa vida ás avessas

E no fim sobraram historias lagrimas e promessas

Ideal generalizado forma um sentido egoista

Ilusão criada sem nenhum sentido altruista

Só sei o que vejo quando finjo que sou limitado

sou um ensinamento constante no caminho a teu lado

ele faz parte do que sou e tenho receado

ter perdido o rasto desse caminho traçado

Trajectorias envoltas num sorriso disfarçado

Vivo o livre arbitrio que vive livre trancado

Refrão :

Ideias são distanciadas do objecto em questão

A questão que se poem é perceber a razão

Dos valores atribuidos na hora de evasão

A vida é uma constante eu vivo na sucessão

Ideias são distanciadas do objecto em questão

A questão que se poem é perceber a razão

Dos valores atribuidos na hora de evasão

A vida é uma constante eu vivo na sucessão

Deixa andar esse passo que não passe no espaço

Ser escaço nesse traço é admitir o fracaço

Falhar no compasso que perfaço e refasso

Ultrapasso o crasso e perpasso o teu espaço

Sonho acordado num estado embriagado

Adormeço reçacado num sentido alterado

Aponto um pesadelo já em mim acomodado

Acordo encharcado e com o corpo flagelado

Movimento a ilusão dou á luz o batimento 

Movimento o batiamento dou á luz o pensamento

Sem receio a cem porcento vejo o mundo a cinzento

Movimento mais um pouco e tenho o teu deslumbramento

Quem sou eu encurralado espaço branco ao quadrado

Amarrado a palavras que eu tinha decifrado

Um ponto ifinito trejecto continuado

O ultimo acto ainda não foi anunciado

Refrão :

Ideias são distanciadas do objecto em questão

A questão que se poem é perceber a razão

Dos valores atribuidos na hora de evasão

A vida é uma constante eu vivo na sucessão

Ideias são distanciadas do objecto em questão

A questão que se poem é perceber a razão

Dos valores atribuidos na hora de evasão

A vida é uma constante eu vivo na sucessão


Dedicado a Patrica Martins =P

Dogma
Fotografia de Marco Silva
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Marco Silva - sábado, 26 fevereiro 2011, 00:33
 
Algo que escrevi o ano passado:


Foi num ano irregular,
ano que não enxergo nem ignoro,
destino, maldições ou encantamentos gostava de saber,
no fundo não entendo porque denominam isto viver.
Perdido no labirinto da vida
em busca de uma provável saída,
aonde estás tu estrela que me guia
penso eu enquanto aguardo por uma via.
Pelo caminho há uma luta desigual
um imenso inimigo possante para derrotar,
a história de David e Golias não se renova
não há força para retaliar.
Um medo que reside
num obstáculo que perdura,
evito as ruas da amargura
na esperança duma felicidade tardia,
que não pareço encontrar
nem parece me cobiçar.
Trilhamos ambos um caminho difícil
com o tempo que corre contra nós,
uma maré que quase que nos derruba
onde podemos ter força para a enfrentar,
mas para isso coragem temos de conquistar.
Desembainho a minha espada
escoltada pelo sentimento que subsiste,
levantando-me no meio da ruína e vocifero,
posso decair mas não me vou reprimir.
Sem nunca fazer um jura
e aguardando num longo abafo,
irei continuar nesta briga sem sentido
esperando um dia ver aquele raiar
que nos faz sonhar,
e acima de tudo,
aquele afecto perdurar.
Sei que o destino nos uniu
neste ano sem sentido,
nos sofrimentos e alegrias
podemos aspirar a essas universalidades,
onde no fim temos de acreditar
que aquele dia realmente vai chegar.

Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - terça-feira, 1 março 2011, 16:01
 
Consigo ser má e vingativa quando sofro por causa de alguém mas quando alguém me faz bem, é querida, meiga, sincera, honesta e verdadeira comigo...aí eu serei eu própria e tratarei-a como ela merece e com todo o devido valor. Por mais fria que queira ser, nao consigo, dou muitas oportunidades e acredito nas pessoas mas já comecei a moderar graças a uma rapariga que me dá para a cabeça o que eu faço de errado e o que devia fazer, ora ela tem muita razão :)
Com isto, concluo que existem pessoas q precisam de alguem q lhes dê esperanças de uma vida melhor e o valor que lhe foi retirado em tempos
Fotografia de Cátia Cardoso
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Cátia Cardoso - terça-feira, 1 março 2011, 16:02
 
a vida está cheia de surpresas, tanto boas como más, mas tornaste-te tao importante para mim, foi sem dúvida uma surpresa boa (:
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quinta-feira, 21 abril 2011, 22:58
 

Sou de ti

Sou de ti fruto, como a vida que floresce do ventre

Vivo para ti porque de ti sou feito erraticamente

Procuro o deleito, do sabor da tua presença

Na falta de um presente que marca pela essência

Sou de ti o traço que selvaticamente libertas

Sou a força incessante que em mim despertas

Palavras certas roubadas na intimidade

Aventuras dispersas dissolvidas na eternidade

Sou de ti o tempo que teimosamente me enfrentou

Sou de ti a esperança que sempre me alimentou

Noites inglórias destinadas a viver na saudade

O alcance da minha voz não te chamava para verdade

Sou de ti o toque e a satisfação de cada anónimo

Desejavas o ortónimo consumindo o pseudónimo

Estilos figurativos desviados da minha percepção

Sou mais rico sendo pobre depois da enumeração

Sou de ti exaltação apóstrofe e invocação

A glória da cobiça o gosto amargo da paixão

Personificação de estado fruto da determinação

Métrica menor alegórica sem interrogação

Sou de ti um dia, génese de uma aliteração

Anáfora reprimida em decrescente gradação

Sou de ti sinestesia na ironia dum destino

Hipálage do que sou num paradoxo divino

Dogma 21-04-2011

:)
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Raquel Ribeiro - sexta-feira, 22 abril 2011, 13:09
 

Uau! Andaste a estudar as figuras de estilo a fundo? Só espero que saia no exame o "nosso" Fernando Pessoa, pois a tua paixão por "ele" pode levar-te a uma boa nota.

Parabéns!

Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - sexta-feira, 22 abril 2011, 19:35
 
Andei claro! já não escrevo só por inspiração só interiormente....
Hoje quando escrevo acontece uma troca de conhecimentos entre mim e o mundo esterior, para publicar este poema tive de fazer pesquisa e estudo.
Fotografia de Carlos Alves
Re: Voar nas Palavras: a todos os alunos do IPTA
por Carlos Alves - quinta-feira, 19 maio 2011, 14:38
 
Não sei do que sou capaz, o meu desconhecido é infinito Eu mal me conheço e talvez assim seja mais bonito O fascínio passa por amar o incógnito, misterioso Encontrar uma alma gémea, num caminho perigoso É ser desconhecido, é ser tudo que conheces Ser um chão sólido, ser o silêncio com que adormeces Ser as tuas preces em momentos de agonia Ser a tua essência em momentos de monotonia É ser o que não se é em prol de um sacrifico altruísta Desejar viver mais um pouco sem te perder de vista É fechar os olhos e ver um sacrifício recompensado É caminhar a teu lado e com a felicidade ao lado É ser porto seguro neste mundo indomável É fazer-te respirar com uma força inabalável Ser o sorriso mais puro na pior desgraça Ser o cobertor mais quente que o teu corpo abraça É ser tudo que sou qualidades e defeitos Não é ser o mais bonito, mas sim o eleito entre os eleitos É perder-me em deleito por entre momentos perfeitos É ser todas as definições, contextos e pretextos É ser-se um passo teu numa corrida nossa Ser o sopro de vento que a tua boca adoça É ser o que desejas num desejo partilhado É ser Carlos Alves teu eterno enamorado Dogma Dogmaticoh 18-05-2011 Dedicado a Diana Rita Santos Pereira